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Contratação de profissionais com mais de 60


Aliando experiência profissional com experiência pessoal, trabalhadores de faixas etárias mais avançadas convertem-se em forte candidatos


Segundo os dados disponíveis no site da fundação Seade da Pesquisa de Emprego e Desemprego da Região Metropolitana de São Paulo, o número de contratações de pessoas com 60 anos ou mais evoluiu entre julho de 2003 e julho de 2004. Conforme dados do IBGE, nos próximos 20 anos o número de idosos no Brasil pode ultrapassar os 30 milhões de pessoas, representando quase 13% da população.

 

Para entender a aumento de contratações, Paula Montagner, coordenadora do Observatório do Mercado de Trabalho, explica que há de considerar a combinação de várias razões, entre elas o aumento do número de pessoas nessa faixa etária, como efeito do envelhecimento da estrutura etária, em especial de homens, cuja taxa de participação era em 2003 de 34,7%, isto é 35 de cada 100 homens nessa faixa etária estavam no mercado de trabalho buscando completar ou assegurar rendimentos para sua sobrevivência ou de sua família.

 

Isto decorre tanto do menor poder de compra das aposentadorias quanto pelo decréscimo do rendimento médio dos trabalhadores e da família; além disso, muitos trabalhadores que não contribuíram para o sistema previdenciário permanecem mais tempo no mercado de trabalho; e para uma pequena parcela, os que tiveram escolaridade mais elevada e experiências de trabalho de alta valorização no mercado, o acúmulo de experiências pode permitir atuar em empresas.

 

“A contratação de pessoas com muita experiência, seja técnica, seja administrativa, pode permitir às empresas melhorar seu desempenho produtivo com novas oportunidades de negócios”, completa Paula. Porém ainda é pequeno o número de empresas brasileiras que valorizam a mão-de-obra de trabalhadores acima dos 60 anos, seja por questões culturais, seja pelo freqüente desacelerar da atividade econômica que dificultam muitos projetos de pequenos e médios empreendimentos.

 

Com isso, trabalhadores que em outros paises seriam considerados em pleno apogeu de sua capacidade intelectual têm menos oportunidades de trabalhar e contribuir ativamente para a geração de conhecimento e de riqueza. “Com o aumento da população nas faixas etárias superiores, parte dos preconceitos das empresas tenderão a diminuir.

 

Vale lembrar que muitos executivos que trabalharam em grandes empresas multinacionais escolhem viver no Brasil depois de se aposentarem e tendem a participar ativamente da vida econômica e comunitária, disseminando experiências importantes que aprenderam durante seu período anterior de trabalho”, conclui Paula Montagner.

 

Algumas empresas já perceberam a importância que o profissional com mais idade oferece aos seus negócios e começam a implementar em seus quadros de colaboradores pessoas com este perfil. Pão de Açúcar e Apsen são exemplos de empresas que têm esta visão empresarial. Em 1997, o Pão de Açúcar iniciou um projeto-piloto para a contratação de funcionários com mais de 55 anos.

 

Hoje são cerca de 800 funcionários neste perfil e a contratação deixou de ser em caráter especial e está inserida na rotina de seleção do Pão de Açúcar. “Começamos a observar nossos antigos trabalhadores envelhecendo dentro da empresa e mantendo sua capacidade, muitas vezes tendo a maturidade como aliada no campo profissional. Então pensamos como poderíamos trocar experiências com essa faixa etária.

 

O programa é um sucesso e vem recebendo elogios freqüentes de clientes e de outros colaboradores”, diz Maria Aparecida Fonseca, diretora de recursos humanos do Grupo Pão de Açúcar. Maria da Ressurreição Esteves, de 76 anos, é colaboradora do Grupo. Começou a trabalhar na empresa logo que o projeto terceira idade foi implementado e hoje diz que não consegue imaginar sua vida sem este trabalho. “É uma forma de conhecer pessoas, conversar, se manter ativo e útil.

 

Antigamente, qualquer dor de cabeça me deixava de cama. Hoje eu nem fico mais doente e meus filhos têm orgulho de mim”, diz ela. O depoimento de Maria da Ressurreição sobre a melhora da saúde é um fato comprovado por pesquisa científica. Segundo estudo da faculdade de Assistência Social da PUC, realizado em 2001, a participação do idoso em grupos de convivência pode não só aumentar sua auto-estima, como colabora para diminuir o surgimento de problemas de saúde.

 

A Apsen Farmacêutica possui hoje 382 colaboradores efetivos, os quais 31 têm mais de 50 anos e destes 16 têm a faixa etária de 56 a 72 anos. Tudo isso por causa de seu Programa Terceira Idade, que surgiu este ano sob a necessidade de unir a experiência de vida das pessoas mais idosas às ousadias e desafios que os jovens buscam em suas carreiras profissionais. “Jovens recém-formados saem da faculdade somente com os conceitos, por isso sentimos a falta de pessoas com experiências pessoais e profissionais. Costumo dizer que não queremos músculos, mas sim cérebro e coração.

 

E as pessoas acima de 60 anos têm muitas destas características, ligando toda sua garra e sua fibra nas atividades que realiza”, coloca Floriano Serra, diretor de Recursos Humanos e Qualidade de Vida da Apsen. O Programa Terceira Idade busca, além do fator experiência, uma manifestação de repúdio ao preconceito que excluem os idosos do mercado de trabalho. “Percebemos que o mercado tem o preconceito com as pessoas maiores de 65 anos, a começar por planos que colocam esta faixa etária como a idade de parar.

 

E a Apsen vem propor o seguinte: não é a hora parar e sim de recomeçar”, enfatiza Floriano, que ressalta: “o programa não é uma caridade, mas sim um reconhecimento dos talentos humanos. Estamos longe de ser um projeto paternalista, protecionista ou até mesmo de autopromoção, a empresa só contrata pessoas qualificadas dentro do processo seletivo, que é o mesmo aplicado aos demais colaboradores”. Floriano conta que uma das coisas percebidas com o programa é a surpresa que os candidatos demonstram, muitos deles nem acreditam nas vagas anunciadas. “O primeiro senhor que entrevistei tinha 74 anos, mas ele me disse que o motivo maior da sua presença era para saber se o anúncio era verdadeiro.

 

E assim eu percebo com todos que entrevisto, eles demonstram sempre uma emoção de estarem novamente competindo”. Entre as justificativas da empresa para a implantação do projeto está a inexistência de estudos científicos que comprovem a degeneração do conhecimento humano com o passar do tempo.

 

Limitações físicas e lapsos de memória não são exclusividade da chamada “terceira idade”. “Os jovens maiores de 60 anos têm muita experiência de vida, o que junto com sua experiência profissional torna-se algo realmente surpreendente e uma verdadeira ferramenta de desenvolvimento empresarial“, declara o diretor de RH. Jeovah Braga Meirelles, 71 anos, é colaborador da Apsen.

 

Cursou até o segundo ano de administração e possui uma experiência de 50 anos no mercado farmacêutico. Anteriormente trabalhou na Apsen por 4 anos, mas por causa de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), teve de se afastar em 1999 da empresa. Tentou abrir seu próprio negócio em Fortaleza, mas voltou a São Paulo e, em 2003, foi até a Apsen e conseguiu retomar seu trabalho, exercendo suas funções sem nenhuma restrição. “Infelizmente o preconceito quanto à idade mais avançada existe em nosso país. Por sorte nunca tive este problema, porque todas empresas que procurei sempre observaram a minha experiência e não minha idade. E aqui na Apsen, principalmente, estou longe de sofrer qualquer tipo de abuso”.

 

Hoje Meireles é Assessor da Diretoria Comercial e afirma que jamais irá parar. “Como diz minha família: se eu parar, morro. E eu digo, jamais desista, persistir tem de ser o lema de todos, não importa a idade”. A contratação de pessoas de mais idade revela-se em

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