Os contratos dos executivos das grandes empresas estão sendo reformulados por conta da crise financeira. É o que afirmam os escritórios de advocacia, especializados em direito trabalhista e empresarial. As principais alterações dizem respeito a pagamento de bônus, troca de salário fixo por renda variável e ao aumento de controle sobre atividades dos diretores. Atualmente, a revisão de salários em novos acordos chega a 30%. Ao mesmo tempo, cresce o volume de pedidos por seguro de responsabilidade (D&O).
Diretors & Officers é uma apólice contratada pelas empresas para proteger os funcionários em possíveis indenizações. Segundo Hércules Celescuekci, sócio do grupo trabalhista da Trench, Rossi e Watanabe Advogados, “com a crise , os aumentos anuais nos salários, que antes passavam em branco, hoje são questionados pelas matrizes. Ou seja, assim surgem as alternativas para evitar o agravamento das distorções nos rendimentos”, conclui.
De acordo com o especialista, pagar bônus em parcela única para os altos dirigentes das organizações também está caindo em desuso. “Agora são feita duas ou mais parcelas anuais, que acompanham a revisão de metas nos planos de bonificações”. – explica.
Segundo o sócio Marcos Vinicius Poliszezuk, uma empresa do setor calçadista precisou ajustar os contratos em até 40% para baixo e vai pagar a diferença em forma de renda variável, isto é, as alterações feitas serão feitas com a participação de ambas as partes e as que prefiram não comentar as mudanças, devem ter um grande motivo: preservar o valor de seus executivos no mercado.
No GMP Advogados, pelo menos 25% dos cerca de 80 clientes, desde janeiro, já fizeram consultas ou solicitaram alterações em acordos de trabalho. Segundo Eduardo Máximo Patrício, sócio do escritório e responsável pelas áreas trabalhistas e de contratos “os pedidos já aumentaram 100%”. E ressalta: “na ordem de 30%, existe a revisão na política de bônus, diminuição de novos contratos e aumento do controle sobre as atividades dos executivos”.
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