Cresce diariamente os vínculos de trabalho que não seguem os padrões previstos na legislação trabalhista. Entre os trabalhadores de baixa qualificação, se destacam os executivos, muitos deles ligados ao ramo de tecnologia. Por meio de um estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), hoje já existe mais de 10 diferentes tipos de vínculos fora do padrão CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) sendo utilizados pelas empresas.
Assim como, tanto os profissionais como as empresas, têm o mesmo intuito: reduzir o peso dos impostos sobre o contrato de trabalho. Segundo Márcia Carvalho de Azevedo, professora de Administração da PUC Campinas "por pagar menos tributos, os trabalhadores preferem esses formatos. Assim, preenche com seus próprios salários os benefícios previstos na CLT", conclui.
Porém, em alguns setores, como: tecnologia e comunicação, os contratos flexíveis estão ainda em uma adaptação à natureza desses serviços. Provavelmente serão realizados fora do ambiente da empresa. "Nos setores onde o uso de tecnologia é intensivo, os contratos de trabalho CLT são custosos e fazem com que as empresas se tornem menos competitivas em relação aos outros países”.
Segundo o executivo Rene Birocchi e diretor de educação da Hughes (empresa americana de tecnologia de satélite), ao longo de 24 anos de carreira, já conheceu pelo menos quatro tipos de vínculos de trabalho. Já foi sócio de três empresas, já trabalhou com contratos temporários de prestação de serviços na área editorial e prestou consultoria “a CLT é uma grande conquista. Mas, ao mesmo tempo, acredito que o perfil do mercado de trabalho mudou e a legislação não acompanhou”, avalia.
Atualmente, seu vínculo é nos moldes da CLT, que gera uma parcela de remuneração variável e que depende dos resultados da empresa. Nesse cenário, de acordo com o estudo realizado com 72 empresas pela consultoria de recrutamento Boyden do Brasil, o bônus e participação nos lucros, também ganham importância.
Em 2008, cerca de 40% dos executivos tiveram aumento na remuneração variada. "Há casos em que a parcela variável responde por metade da remuneração do executivo", afirma Joel Garbi, diretor da Boyden.
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