Com a chegada da crise financeira, os contratos dos executivos das grandes empresas estão sendo reformulados. As principais alterações dizem respeito a pagamento de bônus, troca de salário fixo por renda variável e ao aumento de controle sobre atividades dos diretores. Isso quem afirma são os escritórios de advocacia, especializados em direito trabalhista e empresarial. A revisão de salários em novos acordos tem aumentado em 30%.
De acordo com a pesquisa “Impactos da Situação Econômica Atual de Remuneração”, feita pela Mercer, empresa que ajuda seus clientes a entender, desenvolver, implementar e quantificar a eficácia das políticas e programas de recursos humanos, em mais de 120 empresas no Brasil, 27% consideram redução nos ajustes salariais em relação ao que tinha sido previsto no ano de 2009. Já sobre os incentivos a longo prazo, baseados ou não em ações, pelo menos 30% das empresas entrevistadas, querem rever seus programas.
Segundo Marcelo Ferrari, diretor de desenvolvimento de negócios da Mercer, é hora da verdade. “Em época de crise, as empresas irão realmente conhecer quais são os executivos indispensáveis no cenário”. – define.
As organizações redesenham os contratos de trabalho. Em contrapartida, os executivos também têm exigido das empresas a realização de um seguro de responsabilidade ou Directors & Officers (D&O). É um seguro contratado pela empresa em nome de seus executivos para cobrir custos de defesa legal e indenizações decorrentes de processos judiciais e administrativos, ligado diretamente às atividades dos funcionários. “O D&O é uma forma de proteger o patrimônio do executivo e funciona como uma ferramenta de permuta na reforma do contrato”, explica Kleber Zanchim, advogado do escritório Marcelo Neves Consultores Jurídicos.
Medindo os efeitos da crise no planejamento salarial, a Hewitt Brasil, consultoria de RH, realizou um estudo com mais de 200 empresas de seis países: Argentina, Brasil, Chile, México, Porto Rico e Venezuela. Com isso, foi descoberto que mais de 20% das organizações no Brasil planejam reduzir as promoções dos executivos neste ano. Pelo menos 30% das empresas pretendem congelar vencimentos, já que o índice de reajuste diminuiu de 7,5% para 6,5%. Já os planos de remuneração variável, terão uma redução superior a 10% em 23% das empresas.
Segundo Iarema Oliveira, líder da área de remuneração e recompensas da Hewitt “os executivos levam vantagem com a revisão de contatos, pois asseguram o recebimento da remuneração variável em melhores condições sem correr o risco de ter o prêmio diminuído por conta de uma crise”. E ressalta: “Acredito que os talentos devem ser recompensados para a organização ganhar fôlego em uma retomada dos negócios”.
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