
22 July 2010
22 June 2010
25 May 2010
Caríssimos,
Ricas reflexões lançaram sobre o comportamento da chamada geração “y”. Muito se diz deles e chegamos a acreditar que há algum deslumbramento do mundo corporativo em relação ao tema. Indo um pouco além, imaginamos que há até RHs se valorizando perante seus patrões, perdão, acionistas e líderes, divulgando suas autoatribuídas habilidades em lidar com os segredos e exigências dessa galerinha.
Mas, que tal dar um passo atrás e ampliar a nossa perspectiva?
Essa identificada pouca resiliência que notam agora na geração Y parecer ser uma tendência de origem bem mais antiga e que se torna presente nas sociedades modernas (pelo menos nas ocidentais e ocidentalizadas) desde provavelmente a Renascença ou, pelo menos, o Iluminismo.
Junto com a secularização do mundo, já faz um bom tempo que a dor e o sofrimento perderam o seu valor como fonte e meio de aprendizagem sobre as coisas da vida (e do além).
O antes celebrado herói da nossa infância, aquele que se esfalfava para salvar a mocinha passou a ser visto como otário ou, no máximo, um patético Quixote que não sabe pagar alguém para fazer o serviço.
Nosso mundo há séculos vem desqualificando o caminho do sacrifício como elevação e corre loucamente para combater a dor, a feiúra e a tristeza.
Havia uma enorme distância entre o desejo e a realização.
Mas parece que agora estamos conseguindo: qualquer um compra humor na farmácia, 10 anos a menos com botox e sexo novo com Viagra e silicone.
Isso com certeza reflete no mundo do trabalho e nas relações corporativas.
Faz sentido alguém encarar trabalho duro e chefes pentelhos ao longo de muitos anos para garantir um relógio de ouro e a aposentadoria? O sofrimento organizacional é fonte de aprendizagem ou burrice de quem o aceita?
Logo vão aparecer consultores iluminados propondo pílulas matinais de conhecimento e processos acelerados de amadurecimento em workshops de 6 horas.
Ou já tem?
Ler mais da fonte: http://aquintaonda.blogspot.com/
3 May 2010
Hoje é um dia especial. É dia de não beber ontem, para dar menos cheiro. É dia de ter passado a noite em claro, ansioso, virando na cama e olhando para teto. Dia de ter medo que as baratas tenham aparecido e sido vistas à noite. É um dia especial, de preparação, espera e medo.
Hoje é dia de tomar banho demorado porque começou cedo, quase antes de clarear. É dia de fazer a barba com carinho e cuidado, como se uma moça viesse para passar a mão e avaliar a qualidade do serviço. É dia de se preparar como se alguém viesse para se servir, e ser servida.
Hoje é dia de passar perfume para disfarçar os cheiros da idade e de tanto tempo. Cheiros de vício e de uso prolongado. Hoje é dia de sentir-se como queremos ser vistos por quem amamos.
Hoje é dia de vestir roupa limpa. Roupa passada. Calça escura e camisa folgada para disfarçar a barriga. É dia de parecer um pouco mais jovial que de costume, mas não demais, para não parecer irresponsável.
Hoje é um dia em que não se sabe como se deve portar e vestir. Hoje é o dia do obscuro e desconhecido inesperado. Hoje é um dia que pode não acontecer, como não tem acontecido há tanto tempo.
Hoje é o dia de visita da minha filha.
9 April 2010
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