Salve Steiner!

 



Andamos fora do ar por uma semana. E ainda estamos meio levitantes.

Ninguém fica uma semana com Jair Moggi, Vera Oliveira e Nora impunemente. Tem que pensar. Tem que sentir e fica querendo mais.

Fizemos o primeiro módulo de 5, dentro de uma formação em consultoria proposta para quem deseja trabalhar e agir de fato ‘com’ e não ‘para’, muito menos ‘contra’ o seu cliente.

E é assim. No ambiente corporativo vivemos em meio a toneladas de autores espertos e bobagens motivacionais. Quem diria que as visões e elucubrações de um para muitos obscuro e complexo pensador nascido num lugar perdido do império austro-húngaro poderiam ser tão estimulantes e frutíferas.

Rudolf Steiner, surpreendente gênio que brotou na Europa entre o final do século XIX e o início do século XX; da era vitoriana ao entreguerras; escreveu lições que ainda guardam atualidade e valor. Da filosofia à agricultura, passando por pedagogia e medicina.

Dedicamo-nos mais de 12 horas por dia, entre palestras e variadas atividades exercitando o corpo, a mente e a emoção.

Exige muito mais que trabalhar. Aliás, quem é que realmente se esforça no trabalho? Aí é que se percebe como tanto do trabalho é realizado no piloto automático: cansa e muitas vezes não satisfaz.

O grupo trouxe a inesperada mística da diversidade: homens, mulheres, jovens, idosos, belos, não tão belos, diferentes formações, profissões, interesses e culturas.

De comum só o mesmo desejo: aprender e sair com algo – ou muito – mais do que entrou para aplicar em suas vidas, seus trabalhos, suas relações com o mundo.

Vale a pena. Vale o esforço. Aprender é bom.

LAYOFFS ARE BAD FOR BUSINESS

Caros colegas de RH, se existe algo que não adianta muito é discutir com o financeiro... é discutir com o financeiro... é discutir com o financeiro...

Ôps! Realmente, discutir com o financeiro me lembra aqueles discos de vinil de antigamente – e que agora voltaram a ser hype: basta uma poeirinha e a coisa roda, roda, roda, voltando sempre para o mesmo lugar.

Ou sem sair do lugar. Igual ao financeiro.

Então, ao invés de ficar discutindo com ele cada vez que vem com aquela história de cortar 10% no orçamento e no headcount, dê a ele um exemplar da Newsweek de 15 de fevereiro.

Está em inglês. Mas não tem problema. Financeiros fazem MBA e todos geralmente são alfabetizados em numerologia e inglês.

A capa diz “LAYOFFS ARE BAD FOR BUSINESS”. Ou, numa versão simples: demissões são ruins para os negócios.

Pronto. Dá para ele e sai de fininho. Não comece a rir ou vai achar que é você tem algo contra ele.

Está tudo lá. Jeffrey Pfeffer, professor de comportamento organizacional na Stanford University desfia um meticuloso ensaio naquelas letrinhas pequeninas de revista importada afirmando o contrário do que todo financeiro com MBA acredita. Ou seja, demissões dão mais prejuízo que lucros para as companhias.

Mais que afirmar, traz dados e fatos. Por exemplo, uma única companhia aérea americana não fez demissões em massa depois do fatídico 11 de setembro. Ganha um picolé de alface quem adivinhar qual é a única companhia aérea americana que desde então se manteve como a mais lucrativa e rentável do seu setor.

E tem mais. Cita vários estudos de diferentes autores confirmando a mesma tese: demissões em massa, salvo em casos muitíssimo específicos, não trazem ganho no valor da companhia em nenhum prazo, do curto ao longo.

Ao contrário. Companhias que recorrem regularmente ao expediente de fazer resultado cortando cabeças acabam morrendo de inanição ou tragadas pela concorrência. No texto há mais exemplos.

Então é isso. Anote aí e aproveite para aperfeiçoar o seu inglês: Newsweek, 15 de fevereiro de 2010.

A propósito, como não recomendamos a ninguém trombar de frente com o financeiro, talvez seja mais apropriado fazer a revista chegar às mãos dele de um forma discreta. Ou ele pode achar que lá vem você de novo com aquele papo furado de RH...

COMO (DES)MOTIVAR COM APENAS R$ 0,10

Não existe almoço grátis. Sabemos que dar dinheiro, só pelo dinheiro, não motiva ninguém. Mas tirar, com certeza desmotiva. Nem que sejam só R$ 0,10.

Tudo começa, como sempre, com uma discussão sobre palitos. Nesse caso, o valor do reembolso do quilômetro rodado para os colaboradores que usam seus carros em serviço.

É uma conta complicada por trás de um tema aparentemente simples. A primeira coisa que se pensa é na gasolina ou álcool. Só que carro não anda só com combustível. Ele também gasta pneus, manutenção geral, lavagens, seguros, depreciação e impostos. Como alocar tudo isso no singelo valor de um único quilômetro rodado.

Sempre tem uma mente mais curta que acha que basta calcular o consumo de gasolina, dar mais um troco pelos pneus e pronto. Argumentam que o camarada já ia pagar o IPVA, seguros etc. de qualquer jeito e que não cabe alocar nada por isso.

Outros, mais razoáveis, entendem que o valor de cada quilômetro deveria contemplar, sim, uma fração ideal de todos os custos.

A diferença entre esses raciocínios pode chegar de R$ 0,30 a 1,10 o quilômetro. Como fazer?

A empresa já paga R$ 0,50. Os brilhantes do administrativo –financeiro acham muito. O colaborador acha pouco e demonstra que, de ônibus interurbano e táxis a conta ia ser muito maior.

Discussão vai, discussão vem, encontra-se uma pesquisa nacional, feita com mais de 90 empresas, diversos setores e tamanhos, todas as regiões do país.

Resultado: a média das médias é R$ 0,60 o quilômetro rodado. O que fazer?

RH propõe atualizar a política para esse valor.

O administrativo-financeiro pede para estudar o assunto e ainda pergunta: “Mas R$ 0,60 não é muito? O camarada não vai ficar fazendo dinheiro às custas da empresa?”

Já se passaram 3 meses e nada.

Já o colaborador, antes motivado e comprometido com seu trabalho, aquele que colocou seu carro na estrada e já fez mais de 10.000 Km em viagens debaixo de sol, chuva e neblina, visitando a filial onde sua presença é necessária, agora tem um motivo especial para se sentir desprezado e maltratado pela empresa. Um motivo de R$ 0,10.

Vergonha na cara também mata. Mata?

Diz o senso comum que todo culpado quer ser descoberto e, assim, poder expiar seus erros. As pessoas nessa situação viveriam em constante tormento até que encontram a paz da revelação de suas supostas maldades.

A literatura policial está cheia de casos de serial killers que vão deixando pistas e mais pistas até que o FBI ou a NASA ou alguma velhinha esperta os desmascara.

Outros, ao contrário, entram em renhida competição com seus perseguidores, provocando-os até esgarçar os limites da paciência e do desespero. Acabam apanhados quando cometem algum erro ou, simplesmente, entregam o jogo, enfastiados. Ou nunca. Apenas desaparecem nas brumas, quando a polícia vai atrás de criminosos mais recentes.

Mas há os que nunca se rendem, nunca se entregam. Vão até o fim. Enganam a mãe, os filhos, os vizinhos e até o zelador do prédio. Todo mundo acha que o cara é um ótimo pai, marido, filho, vizinho, colega de trabalho e por aí vai.

Só um ou outro sinal trai a enorme tensão em que vive o jogador, o malfeitor que se esconde como filantropo e cidadão exemplar.

Um dia, de repente, do nada, um mal estar e uma pressão brutal de 18 por 12, acompanhada por dores, enjôos e toda a sequência de praxe.

É comum ver-se isso em executivos workaholics. O excesso de trabalho, a insana insatisfação e ganas de tudo ver e tudo controlar leva a crises de stress, infarto ou mesmo morte.

Inventaram até um palavrinha para isso: burnout!

Não haveria de ser diferente no mundo político, quando um presidente de país se vê acometido por uma crise amazônica de pressão alta.

A dúvida que fica é: será pelo excesso de trabalho, o peso das responsabilidades e a dureza das decisões do cargo?

Ou será por uma não confessada crise de vergonha pela consciência não explicitada do que fez e, principalmente, do que não fez na posição de liderança que ocupa?

Guarde suas respostas e perguntas para quando for apoiar um líder em posição de dificuldade. Ele pode precisar de muita ajuda para entender e conviver com o peso e as consequências de suas escolhas.

Nosso amor a São Luis do Paraitinga

O ano já começou e ainda nem falamos do réveillon. Natal, Ano Novo, tudo passou muito depressa. Tão depressa que agora já parece passado, coisa velha de antigamente.

Íamos falar do réveillon maravilhoso que passamos em Tiradentes, aos pés da Serra de São José. Com chuva, é verdade, mas não tanta para atrapalhar ou fazer desgraça. Um réveillon que durou uma semana espichada  escolhendo comidas, fazendo amizades e fotografando as sempre e inesgotavelmente fotografáveis paisagens da cidade colonial mineira.

Para nós, um réveillon inesquecível. Sem congestionamento, sem fila na padaria, sem pular 7 ondinhas.

Mas não é a mesma coisa para todos. Tem gente agorinha nesse momento para quem a lembrança do réveillon é tão inesquecível quanto amarga. Gente que perdeu o chão, o carinho, as convivências queridas.

E gente que está de rodo e vassoura na mão tentando expulsar de sua casa – ou do sobrou dela – os traços da invasão do inesperado.

Gente que, depois do desespero,  agora convive com a incerteza. Com uma única certeza: a obrigação de recomeçar e continuar. Fazer o que?

Aos muitos amigos que fizemos em tantas visitas a São Luis do Paraitinga e aos muitos anônimos que não conhecemos, embora tenhamos nos encontrado compartilhando as calçadas, as festas e a mesma Igreja que já não existe mais, queremos dizer que acreditamos em vocês.

Acreditamos na capacidade que vocês têm de fazer reviver a sua linda cidade.

Mesmo que muitos monumentos tenham se perdido e venham a ser substituídos por réplicas, continuaremos a visitá-los.

É importante que saibam: começamos a visitá-los porque tinham uma cidade bonita, mas depois voltamos e voltamos tantas vezes porque queríamos é ver e estar com as pessoas – com vocês.

Por favor, avisem, dêem um sinal de quando poderão receber novamente os amigos.

Estamos ansiosos para reencontrá-los.