A orientação para viver em grupos, famílias, clãs ou como se queira chamar, é um dos principais diferenciais evolutivos do ser humano, algo tão importante como o polegar opositor e a linguagem.
Em grupos pode-se melhor compartilhar recursos e criar a prole. Com o tal polegar opositor, pode-se segurar ferramentas e com elas fazer coisas que outros animais nem sonham.
O domínio do fogo foi um salto cultural de dimensão cósmica. Com ele produzimos defesa contra o frio, luz na escuridão e alimentos cozidos, bem mais saudáveis.
Cem mil anos depois, cá estamos nós: educados, vestidos, bem alimentados e devidamente internetalizados.
Parece diferente, mas nem tanto.
Aqueles recursos que trouxeram a espécie até aqui ainda são válidos. E necessários.
Ontem comemoramos 50 anos da AAPSA – Associação Paulista de Gestores de Pessoas, uma entidade que surgiu da expressão da necessidade básica que os profissionais, como nossos antepassados, tinham de conviver em grupos para compartilhar recursos e informações. Para defender-se, para desenvolver-se e para criar os sucessores.
Numa festa belíssima pudemos mais uma vez comprovar que o fogo bem usado faz milagres na matéria alimentar. Além disso, o calor também é essencial para destilar os espíritos e fazer fermentar os caldos que alegram a alma.
Os dedos opositores estavam todos lá, favorecendo o verdadeiro aperto de mão, aquele que começa com um encontro generoso, passa pelo aperto recíproco e chega ao abraço de confraternização.
Grandes nomes e nomes não tão grandes se conciliaram no prazer: prazer de estarmos vivos, prazer de estarmos juntos e prazer de nos reconhecermos como gente de valor.
50 anos não são nada na história da espécie. Muito menos na história do mundo. Mas é muito tempo na história das nossas vidas.
As redes sociais estão aí e vieram para ficar. Por lá se arruma emprego, namorados e, às vezes, dor de cabeça.
Mas nada substituirá o contato direto, pessoal, acolhedor e humano propiciado por um salão cheio de gente feliz por estar ali naquele momento, como se estivéssemos em volta de uma fogueira, com nossos parentes, nossos irmãos e nossos filhos, acalentando lentamente o jantar sobre as chamas enquanto vamos lembrando e revivendo as histórias do nosso clã.