MAU HUMOR – UM VENENO PARA NOSSA VIDA!

 

Com certeza, em algum momento de nossa vida, já tivemos fases em que o mau humor tomou conta de nosso dia. Diversos fatores podem contribuir para que ele se instale rapidamente em nosso organismo, como por exemplo, o excesso de trabalho, dificuldades financeiras, cobranças profissionais, conflitos nos relacionamentos, problemas de saúde pessoais ou familiares. Esses eventos podem com certeza interferir em nosso bom humor. Porém, existem pessoas que, independentemente de qualquer fator, acordam e dormem mal humoradas. É sobre esse tipo de gente que quero enfatizar, pois conviver com alguém que tem o mau humor impregnado em seu corpo, sua mente e seu coração é a pior coisa que pode acontecer. Quem sofre de mau humor constante, corre sérios riscos em seu trabalho e seus relacionamentos. Não ganha nada, afasta as pessoas e pode até mesmo perder o emprego, principalmente quando esse comportamento afeta os clientes.

Pessoas mal humoradas correm o sério risco de serem grosseiras, mal educadas, além de não terem paciência com os outros. Acham que sabem tudo, reagem com indiferença aos seus colegas e pessoas de sua rede de relacionamentos. Para ele, o cliente é sempre um “chato”, o chefe “não sabe nada”, os colegas são “folgados”, e as desculpas para o seu mau humor vão se estendendo ao longo do dia.

Algumas empresas podem ter uma cultura de que “aqui é lugar de gente séria!”, adotando uma visão de que “quem brinca não é bom profissional”. É claro que não se pode ser engraçadinho o tempo todo, e ficar fazendo piadas durante o horário de trabalho, principalmente em relação aos pontos fracos dos colegas, pois isso não é nada saudável, além de não ter graça nenhuma. Porém, fazer do mau humor motivo para reclamar o tempo todo e destratar as pessoas, além de interferir na produtividade, poderá acarretar sérios problemas e conflitos na organização.

O bom humor em nossa vida e nossas relações pessoais e profissionais deve ser como o uso do sal em uma comida: se é exagerado, fica ruim, se não colocar o sal, a comida fica sem gosto. O ideal é a dose certa, ou seja, usar sempre do bom senso, respeitando os limites e valores de todos com quem se convive no dia-a-dia.

Em 2003, uma publicitária alemã, na época ainda pouco conhecida lançou um livro com uma proposta incomum: banir a apologia do riso, do bom humor e de qualquer tipo de diversão do ambiente organizacional. Judith Mair, sócia da agência Mair und Andere, do oeste da Alemanha, lançou a polêmica no livro Schluss mit Lustig  (Chega de Diversão). Conhecida como “Frau Mair”, a autora prega a implantação dos rígidos valores prussianos no cotidiano corporativo. Defende, por exemplo, o fim da jornada de flexível – ou a volta do cartão de ponto. Execra o espírito de equipe e proíbe conversas pessoais entre os funcionários por mais de cinco minutos. “E, para deixar bem claro que não se trata de mero discurso, a matrona deixa um cartaz com dizeres pouco convidativos na entrada de sua agência: Aqui não há lugar para quem pensa que trabalho bom é aquele que dá prazer”.

De acordo com alguns profissionais da área de Recursos Humanos, o que levou Frau Mair a adotar o chicote em plena era da inteligência emocional, enquanto milhares de empresas se desdobram para tornar a rotina mais light, dinâmica e prazerosa era o fato de que ela queria melhorar a qualidade de vida de seus funcionários e fazer sua agência prosperar.

O rigor, a disciplina e o fim da diversão estimulariam os empregados a dedicarem as horas na empresa unicamente ao trabalho – o que significa dizer que lhes sobraria mais tempo livre após o expediente. Não por acaso, autora de Schluss mit Lusting desejava acabar com alguns conceitos já consagrados no mundo dos negócios. “Processos como horizontalização, jornada flexível e gestão de equipes estão derrubando as barreiras entre a vida privada e a profissional. As pessoas estão desorientadas com a falta de hierarquia. Ficam constantemente preocupadas com as pendências da empresa e, por isso, sofrem cada vez mais de depressão, estresse e doenças cardiovasculares”, de acordo com a opinião da autora na época do lançamento do livro.

Ao contrário do que ditava a publicitária alemã, pesquisas realizadas no Brasil a partir dos anos 80, entre executivos e profissionais de Recrutamento e Seleção, trouxeram alguns resultados com relação ao bom humor na hora de contatar pessoas. Os dois mais relevantes são, em primeiro lugar, entre os profissionais pesquisados, 84% preferem ter em seu quadro de colaboradores, pessoas bem humoradas, por acreditarem que elas são mais criativas. Outro resultado da pesquisa é que 98% dos presidentes de empresas preferem contratar pessoas bem humoradas por acreditarem que esse fator ajuda na produtividade, no atendimento aos clientes e nas relações interpessoais.

Muitas empresas não aceitam o bom humor como uma qualidade, e quando as pessoas demonstram esse comportamento, é muito comum ouvir a seguinte frase: “Vamos acabar com essa palhaçada, isso aqui é uma empresa séria!”. Essa atitude é um grande erro, pois já se sabe que grande parte do tempo das pessoas é dedicada ao trabalho em alguma empresa. Transformar essas horas em tédio, além de não trazer nenhum benefício para a equipe, também traz conseqüências sérias para a saúde. Nem sempre é possível trabalhar exatamente com aquilo que a gente gosta, podem ocorrer situações chatas que podem nos tirar do sério, mas nada disso pode ser justificativa para o mau humor, destratando os colegas, atendendo mal os clientes ou resmungando o dia todo. Apesar de todas as regras que algumas profissões e empresas trazem no dia-a-dia, isso não pode afetar o humor e a produtividade. Muitas pessoas não gostam do que fazem e não conseguem conviver com essa decepção, transformando sua vida e a dos outros um verdadeiro caos.

Voltando ao livro de Judit Mair – Acabou a Diversão – algumas regras foram implantadas pela mesma em sua empresa. Entre elas, destacam-se:

- “Somos colegas de trabalho, e não amigos. Por isso, e-mails e conversas pessoais não devem tomar mais que cinco minutos.”

- “Ninguém aqui precisa ser agradável. O mau humor é tolerado, desde que não interfira no desempenho.”

- “A vida particular de cada um não nos interessa. Da mesma forma, desaconselham-se conversas sobre o trabalho fora do escritório.”

- “Deve-se evitar o uso da palavra "nós" fora do expediente. Só estamos no mesmo barco diante de nossos clientes.


- “Nada de altas filosofias e atitudes. O dia-a-dia é banal. Esforços para transformá-lo em um grande evento não são desejados por aqui.”

Imagino o ambiente hostil e a falta de motivação dos colaboradores de uma empresa que adota essas regras. Não há como evitar os conflitos e o alto nível de infelicidade das pessoas, além de afetar as relações, a produtividade e o atendimento aos clientes. Mesmo que as regras sejam necessárias, o ambiente de trabalho pode ser agradável e divertido.

O bom humor traz muitos benefícios para diversas áreas na vida das pessoas:

- Na área da saúde: Pessoas que têm a capacidade de sorrir sempre, adotar a simpatia em suas relações, possuírem um carisma especial, acarretam diversos benefícios: seu corpo fica mais relaxado, reduz o stress, relaxa o coração, aumenta a resistência, e uma vida saudável é essencial para vivermos mais e melhor. Porém, existem pessoas que agem de uma maneira em sua casa e no trabalho se transformam em outra completamente diferente. Acreditam que devem separar totalmente sua vida pessoal de sua vida profissional. É claro que existem situações que não podemos e nem devemos compartilhar igualmente em casa e no trabalho. Não dá para ser a mesma pessoa quando estamos enfrentando um problema grave de saúde, financeiro ou familiar, fingindo que está tudo bem e ser uma pessoa 100% humorada, mas também não é justo descarregar nas pessoas esses problemas. Se não pode compartilhar, não deixe que isso atrapalhe os relacionamentos profissionais.

- Na área das relações: Normalmente, nosso trabalho exige a convivência com diversas pessoas. O trabalho em equipe é primordial para alcançarmos nossas metas e dividirmos conhecimentos e tarefas. O bom humor é a melhor receita para atrair as pessoas, pois ele é contagioso. Quem tem essa característica, consegue facilmente aproximar-se de todos, fica mais fácil dialogar e ceder quando necessário. Ele promove a interação e a franqueza entre os colegas e clientes na vida profissional. Ninguém gosta de pessoas “chatas” que não são acessíveis, que vivem reclamando de tudo e de todos. Essas atitudes apenas conseguem afastar todos de nosso convívio.

Apesar do fato de que o bom humor deve fazer parte de nossa vida e de nosso dia-a-dia na empresa, alguns cuidados devem ser tomados, pois muitas pessoas fazem uso do bom humor de uma maneira errada, através de fofocas, rindo de situações que não são nada agradáveis, fazendo “piadinhas” com os defeitos dos colegas e chefes. Essa atitude não tem nada a ver com o bom humor, mas sim, com falta de bom senso.

Também não adianta nada jogar a culpa do mau humor no trânsito, na correria do dia-a-dia, no orçamento apertado ou no descontentamento com o trabalho. Se isso incomoda a pessoa, o ideal é que ela arrume alguma forma de mudar essas coisas que atrapalham sua vida. Ninguém é obrigado a tolerar o mau humor, nem a grosseria de uma pessoa que não consegue lidar com seus problemas pessoais. Cara feia não ajuda em nada, pelo contrário, afasta as pessoas, pois todos gostam de se relacionar com pessoas carismáticas, sorridentes e simpáticas.

Portanto, seja uma pessoa bem humorada, um profissional carismático, procure sempre fazer aquilo que você gosta, pois essas atitudes somente farão bem para sua saúde, seus relacionamentos e sua profissão. Lembre-se de uma frase bastante conhecida e que deve ser sempre lembrada: “O bom humor é contagioso!”.