O CONSUMIDOR DA GERAÇÃO “Y” – ENTENDER PARA ATENDER!

 

Nos últimos meses, muito se tem ouvido e lido sobre o “boom” da “Geração Y”. Diversas discussões, reportagens e palestras têm sido realizadas e divulgadas na mídia. Esse assunto, apesar de estar sendo tratado recentemente, já é conhecido pelos estudiosos das áreas de Marketing, Recursos Humanos, entre outras.

As empresas percebem, cada vez mais, que é necessário colocar em prática a máxima do Marketing: “ENTENDER, PARA ATENDER”, principalmente, quando se trata desse consumidor, que conhece, exige e não aceita o convencional. Já se sabe que esse os integrantes da “Geração Y”, exercem grande influência nas compras em sua casa, e que querem sempre produtos e serviços inovadores.

De acordo com uma pesquisa, divulgada pela HSM MANAGEMENT, por ano, os jovens brasileiros gastam R$ 32 bilhões, com uma média nacional de R$ 49 por semana. Esses gastos são, quase majoritariamente, com roupas, higiene e diversão.

De acordo com Jorge Kodja, diretor da TNS Research Internacional, “como 43% da Geração Y está na classe C, temos um público que busca inserção social, que quer estar bem, se sentir bem acima de qualquer coisa, acrescentando que apenas 16% está no mercado de trabalho.”

As mudanças têm ocorrido de uma forma acelerada. Vivemos algumas gerações anteriores, que marcaram sua época na forma de vestir, de dançar e de consumir. Cada uma delas trouxe uma nova discussão no mercado, tanto da gestão das empresas, como no consumo, fazendo com que as lideranças repensassem sua forma de lidar com os colaboradores, e as empresas adequassem suas marcas às exigências da geração que estava em evidência.

Para conhecer essas gerações e mudanças, temos que voltar aos anos 40, no término da Segunda Guerra Mundial. Nascia aí uma geração, filhos dos pais que retornaram da guerra e cujas mulheres engravidaram. Essa geração foi chamada de “Baby Boomers”, que ansiavam a paz, diziam não à guerra. Foi a chamada Geração da Paz e Amor. No Brasil, a geração dessa época foi responsável por alguns eventos na política na época da ditadura. Começava a Jovem Guarda, as músicas de protesto, os grandes festivais de Rock e MPB.

A geração seguinte foi chamada de “Geração X”, surgida na segunda metade dos anos 60, época do Regime Militar no Brasil. Essa geração enfrentou a ditadura, viu seus ídolos morrerem em conseqüência da AIDS, e foi à rua para tirar o Presidente da República, marcando uma fase de grito pela liberdade, dando um basta para aquilo que os incomodava. Também fazem parte dessa época as mudanças na moeda brasileira, e com isso, o consumidor teve que reaprender a lidar com diversas maneiras de comprar e pagar os produtos e serviços consumidos.

Surge, logo após, a “Geração Y”, que compreende as pessoas nascidas entre 1977 a 1997, de acordo com estudos dos Estados Unidos. No Brasil, estudiosos definem essa geração como os nascidos a partir de década de 1980, época em que o país  já era uma democracia e uma economia aberta. Nos anos 90, o Brasil foi melhorando e sendo respeitado depois do plano Real, e a internet abriu as portas do mundo para as pessoas. A partir disso, nunca mais o mundo da informação foi o mesmo.

As pessoas da “Geração Y” vivem de uma maneira acelerada, exigem respostas rápidas, cresceram conectadas à internet, adquirindo, portanto, uma grande familiaridade com a tecnologia.

Elas querem crescer muito e em pouco tempo. Muitas vezes não se contentam com o que lhes dizem e querem saber o porquê das coisas. Utilizam intensamente as Redes Sociais, e para eles, quanto mais amigos, melhor. Estar conectado para esse jovem, é quase vital.

Por isso, necessitam de uma maior capacidade de navegação pela internet, de processamento rápido e possuem equipamentos sofisticados, consumindo tudo que se relacione à alta tecnologia de uma maneira voraz. Não se apegam às marcas, e experimentam tudo que lhes trouxer rapidez e conexão em tempo integral. Estão sempre portado aparelhos celulares de última geração, iPod, entre outros.

Consomem produtos e serviços que não o façam perderem tempo e são muito exigentes com a qualidade, além de discutirem tudo aquilo que os incomoda. Estão sempre á procura de produtos e serviços que sejam inovadores, gostam de variedades, desafios, velocidade e novidades. e querem seus desejos atendidos de forma eficaz pelas empresas.

Jorge Kodja, em entrevista ao site HSM MANAGEMENT, aconselha as empresas a transitarem do monólogo para o diálogo. “A comunicação tradicional era uma via de uma mão onde a empresa comunicava os benefícios de seus produtos, muitas vezes de forma hiperbólica e pouco conectada com a realidade. A nova comunicação deve pronunciar-se sobre seus produtos, estando preparada para ouvir. Essa escuta pode vir dos blogs, dos sites de relacionamento etc. A “Geração Y” tem forte necessidade de ser ouvida e de discutir seus pontos de vista e percepção, ao contrário das gerações anteriores mais acostumadas a receber ordens”, diz o Consultor.

Ainda de acordo com Jorge Kodja, “as estratégias de marketing de massa ainda são funcionam ara impactar esta geração. Prova disso, de acordo com ele, é que as empresas saudáveis ainda adotam as práticas de marketing de massa. Alguns ajustes são fundamentais. Eu diria que o mais importante é dar voz ao consumidor e ouvi-lo na mesma medida em que se busca doutriná-lo. Aconselho também maior refinamento na definição de target. O que é classe C, por exemplo? Ora, dentro da Classe C contemporânea há inúmeros subgrupos e comportamentos diferentes. É preciso entendê-los e procurar conversar com os segmentos mais significativos.”

Portanto, a empresa que quiser conquistar esse consumidor, precisa estar atenta às inovações, estabelecendo ações para se relacionarem diariamente com essa importante fatia do mercado.

Mas como o tempo não para, como dizia o poeta, já está chegando a “Geração Z”, que vem de ‘zapear’.  Ao contrário da “Geração Y” que assistiu ao crescimento da internet, passando a consumir cada vez mais produtos e serviços de alta tecnologia, a “Geração Z  já nasceu com o dedinho no mouse”.

Ficará para trás, a empresa que não se esforçar para realmente entender essa transição, preparando-se para atender ao novo consumidor, além de ter a capacidade de adequar-se às exigências das gerações que estão, cada vez mais, ditando as regras no mercado!