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Meu filho é deficiente. E agora?

Açucena Calixto Bonanato


Li num artigo, destes de revista feminina, que 80% das mulheres brasileiras desejam ser mães e que bom que isso acontece, sinal que ainda acreditamos na humanidade, nas coisas que herdamos e que temos confiança que esse mundo pode ser melhor. Mas será que estamos prontos para amar incondicionalmente? A primeira coisa que queremos saber quando uma criança nasce é: ela é perfeita, doutor? Sim. Tem vida e respira.

 

Mas e se não tem algum dos braços ou se não tem as pernas? E se for uma criança com Síndrome de Down? Nosso amor muda? Ou os nossos conceitos mudam?

 

Perceber que as crianças podem ser diferentes, não deve ser um ponto de obstáculo na vida de uma mãe.

 

Nascer diferente em personalidade nos faz únicos e portanto com valores que nos tornam especiais.

 

Mas se essa diferença é de modo aparente, visual, auditiva, mental, física ou múltipla, é nesse momento que o amor de mãe deve estar mais presente.

 

Durante esses vinte anos de Instituto Pró-Cidadania, temos sido testemunhas de realidades diversas e de muitas histórias.

 

Mães extremosas que fazem de suas vidas, pura dedicação e “luta” pelos seus filhos, independente de suas deficiências e de suas limitações e não se pode imaginar do que são capazes, se mais exigidas forem em prol de uma vida melhor para os seus filhos.

 

E mesmo aquelas que passaram para outras famílias a criação de seus filhos, para que eles tivessem mais recurso ou melhor condição.

 

Não é a minha intenção julgar, até porque não me cabe esse papel, de quem está certo ou errado, de que maneira psicologicamente seria melhor.

 

Mas uma coisa deve sempre prevalecer: o amor e o respeito.

 

As pessoas com deficiência tem valores individuais e únicos, que juntos e bem avaliados, os tornam pessoas capazes, homens e mulheres responsáveis e  preparados para a vida.

 

Quantas vezes você se deparou com uma pessoa com deficiência? Fez como eu que, não sabia como agir e, paguei todos os “micos” possíveis, ou simplesmente se manteve na neutralidade fazendo de conta que não era com você?

 

Então, caro leitor, eu sugiro que você dê a cara para bater, não se esconda dos seus desafios e não tenha medo de errar, apenas tenha muita vergonha se não tentar, se mostre por inteiro, por que só assim podemos ser felizes.

 

A vida nos coloca em situações que nos obrigam a tomar atitudes, certas ou erradas e pagar “micos” é apenas a menor delas.

 

A omissão é a carapuça dos covardes e só agindo é que podemos aprender.

 

As pessoas que não tem os braços, só perderam os braços, não a noção de calor humano, de bem querer, então cumprimente-as, abrace-as.

 

As pessoas que não falam, podem ser entendidas, elas pensam e sentem.

 

As pessoas que estão em cadeiras de rodas, apenas não usam as pernas para o seu acesso, mas elas podem chegar muito longe, basta acreditar e permitir.

 

As pessoas que não veem, essas são sábias. Elas não veem as nossas imperfeições e nos amam assim mesmo. O amor é invisível, só sentido.

 

As pessoas que não ouvem, tem uma habilidade extrema, sentem o próprio coração o tempo todo e apenas querem fazer bate-lo por você também.

 

Se essas habilidades estão presentes nestas pessoas porque se furtar de  conhecê-las, de lhes oferecer a mão, um abraço sincero, um gesto de compreensão e carinho?

 

Afinal, cada um de nós pode e tem em si, habilidades especiais, que DEUS, concedeu na criação.

 

Você, que tem a oportunidade desta leitura, de forma direta ou indireta, que está à procura de algo melhor para si e para a sua vida, ajude as pessoas a serem mais felizes, ofereça respeito, dê amor.

 

Acredite, as pessoas com deficiência tem competências e habilidades, que você como cidadão tem que reconhecer, você como empresário pode e deve oferecer a oportunidade de emprego e nós todos como sociedade, temos que fazer  valer esse direito para que todos possam ser parte de uma nação mais justa e humana  ensinando  as futuras gerações que só através do amor e do respeito é que as pessoas podem viver em harmonia e igualdade.




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