Recentemente listamos cinco características de um grande líder, apresentando-as como complementares e construídas ao longo da história de vida de cada um. A partir de agora, abordaremos cada uma delas com mais profundidade em textos distintos, cuja composição possibilitará uma perspectiva mais abrangente do que significa ser líder hoje.
Se o senso comum alega que “quem é bom já nasce pronto”, leituras mais críticas e consistentes da realidade apontam para outra direção: quem é bom em algo batalhou muito para atingir esse nível de competência. A própria trajetória de vida nos indica que, antes de desempenharmos com competência qualquer tarefa, seja dominar uma habilidade motora, expressar-se com fluência em um segundo idioma ou liderar pessoas, consideráveis doses de esforço e tenacidade se fizeram necessárias. Thomas Edison e Albert Einstein já diziam que a genialidade e o sucesso eram fruto de pouca inspiração e muita transpiração (respectivamente 1% e 99% para Edison, e 10% e 90% para Einstein).
Quando pensamos na liderança, a idéia que defendemos acima torna-se desafiadora porque um verdadeiro líder se constituirá gradativamente, a começar pela 1ª de suas características, a autoridade ética.
A ética, ao contrário da moral que se configura como um código de regras prontas a ser cumprido sem questionamento, é um conjunto de regras de comportamento que precisa ser acordado pelos diferentes grupos sociais em função de suas particularidades, incluindo-se visão de mundo, experiências anteriores, desafios, necessidades etc. Por conta disso faz sentido falarmos em ética profissional e ética médica, entre outros exemplos possíveis, pois tais grupos decidem permanentemente o que será considerado ético e anti-ético nos comportamentos de seus respectivos membros.
Um líder precisa ter autoridade ética, lidando com diferentes grupos sociais (colaboradores, parceiros, clientes) e suas inúmeras particularidades, dialogando com seus referenciais éticos sem perder de vista os seus próprios referenciais. Essa busca de consensos respeitosos e benéficos para todos (indivíduos, grupos e sociedade) - e exatamente como os gregos antigos faziam em suas praças com navegadores estrangeiros com quem mantinham relações mercantis, dando origem ao que muitos séculos depois chamaríamos de ética - é tarefa árdua em sociedade tão complexa como a nossa.
Um líder com autoridade ética precisa honrar sua palavra cumprindo o que promete; conseguir colocar-se no lugar do outro para entender sua posição e respeitá-lo; tomar decisões com base nos interesses coletivos; ter argumentos consistentes, mas estar aberto a diferentes pontos de vista; manter-se sereno mesmo diante de comportamentos tão inusitados que poderiam ser considerados antiéticos, conforme sua própria definição de ética; acreditar que é possível chegar a consensos; e desacreditar no “levar vantagem em tudo” da chamada “lei de Gerson”.
Conforme dizíamos no início, ninguém nasce com todas essas competências, mas as desenvolve ao longo da vida. O processo de construção da autoridade ética não tem hora marcada para começar ou acabar, devendo ser vivido e exercitado rotineiramente. O importante é que possamos exercitar as competências fundamentais para o aprimoramento de nossa capacidade de liderança, construindo consensos respeitosos e benéficos para todos.