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Autoconfiança e a conquista do novo emprego


Gutemberg B. de Macedo



Aparência agradável e postura de autoconfiança são muitas vezes mais valiosas ao candidato em busca de trabalho do que suas credenciais acadêmicas, seu elevado nível de inteligência e uma dúzia de referências de excelente origem. Quando o candidato conquista nova posição, ele tem apenas de demonstrar capacidade de trabalho, bom senso, e confiança em si mesmo. A partir daí, o progresso de sua carreira é meramente uma questão de tempo.

 

Muitos desempregados saem em busca de novo trabalho guiados por desânimo, abatimento e atitude tíbia. Eles estão convencidos, antes mesmo de se apresentarem ao entrevistador, de que não conquistarão a posição que ambicionam e isso, fatalmente, acontece. Eles não conquistam o trabalho desejado; não demonstram nenhuma convicção fundamentada em sua capacidade; não se vêem como candidatos de perfil adequado; não se revelam possuidores de habilidades, competências e convicções, fatores esses tão desejados por empregadores do mercado.

 

Se você é um profissional em busca de trabalho, lembre-se de que você precisa convencer o entrevistador e a empresa de que eles serão premiados com sua contratação; de que você adicionará valor a seus negócios e que você tem os "ingredientes" de um vencedor.

 

Quando você, qualquer que seja seu nível, vai a uma empresa em busca de nova posição, o entrevistador não pode ler em sua fisionomia e postura, a seguinte atitude: "Por favor, eu preciso dessa posição; não me elimine do processo; perdi a confiança em mim mesmo; a sorte não está a meu favor; não sei o que está errado comigo ou com minha experiência; preciso trabalhar urgentemente; meus recursos financeiros se esgotaram".

 

Se você transmitir essa imagem e ele fizer essa leitura, você despertará nele apenas sentimentos de desprezo em relação a sua incapacidade profissional. Sua atitude reforçará nele a convicção de que você não tem o perfil de um vencedor; ao contrário, é um candidato desqualificado e que deve ser alijado imediatamente do processo. E isso, ele o fará aliviado, convicto de que tomou a decisão certa como profissional e representante da organização em que trabalha.

 

Se você se porta numa entrevista com insegurança, não tenha dúvida, você será tratado com indiferença e o entrevistador o descartará. Se você se comporta como um capacho, as pessoas inevitavelmente pisarão em você.

 

Como consultor e tendo aconselhado milhares de profissionais em processos de outplacement, tenho visto com tristeza muitos profissionais perderem excelentes oportunidades de trabalho, simplesmente, porque demonstram perceptível fragilidade em suas ponderações, respostas e perguntas. Não são convincentes quando descrevem suas qualidades; não demonstram bom senso, equilíbrio, profundidade e poder de argumentação; e, muitas vezes, revelam-se indiscretos e inábeis em suas respostas e desprovidos de diplomacia. Eles dizem qualquer coisa que vem à cabeça. Não sabem refletir ou pensar e são destituídos de sensibilidade para causar uma primeira e boa impressão.

 

Não raro, aquilo que desejam expressar é a antítese de si mesmos e da impressão que gostariam de transmitir e deixar impressa na mente do entrevistador. Muitos há que, antes de se apresentarem para uma entrevista, são treinados, sentem-se seguros e certos de que poderão causar boa impressão.

 

Não obstante, ao se apresentarem para a entrevista, parece que se transformaram em outra pessoa. São incapazes de falar sobre si mesmos com segurança. E, antes mesmo que tenham tido a oportunidade de articular uma palavra, põem tudo a perder. Nervosismo, insegurança e descontrole emocional são fatores suficientes para alimentar o preconceito de qualquer entrevistador e interpor barreiras intransponíveis.

 

O autoconceito, transmitido por qualquer profissional, influencia diretamente a imagem pela qual é visto por outras pessoas. Se ele demonstra baixo conceito de si mesmo, por sua aparência e linguagem corporal, por sua postura de subserviência e humildade excessiva - desculpando-se sem justificativas aparentes - o entrevistador também não se sentirá compelido a respeitá-lo.

 

O candidato tem de demonstrar respeito por si mesmo e pensar bem de si mesmo. Caso contrário, quem poderá ter por ele elevada consideração? O candidato em busca de novo emprego tem de demonstrar coragem. Nenhuma empresa deseja recrutar um profissional medroso e que, de joelhos no chão, esteja como que a mendigar por trabalho.

 

Nenhuma empresa contrata profissionais por piedade ou altruísmo. Isso é uma verdade insofismável! Contratar é decorrência de decisão estratégica. Negócio puro. Que ninguém se iluda. O processo de contratação é semelhante ao do indivíduo que deseja comprar um novo automóvel. Ele quer certificar-se de que o dinheiro que está pagando pelo novo carro trará retorno em termos de status, estilo, horse-power, segurança, conforto, durabilidade etc. Ele não quer comprar um carro que, ao retirá-lo da concessionária, tenha perda imediata de valor.

 

Igualmente, o empregador, ao se decidir pela contratação de um profissional, procura encontrar alguém que responda com eficiência, motivação, capacidade de trabalho, flexibilidade para superar ambigüidades, energia e paixão pelo que faz.

 

Ao se dirigir a uma entrevista, convém, portanto, que o candidato tenha em mente algumas boas regras vitais de comportamento. É fundamental: - que se apresente como se fosse o melhor e o mais qualificado dentre todos os candidatos que estão em busca de novo emprego; que saiba projetar a postura de um vencedor; - que fale com alma e criatividade, demonstrando paixão por sua carreira, realizações e desafios enfrentados; - que saiba tratar seu interlocutor com educação e diplomacia e, ao mesmo tempo, defender suas idéias com coragem, segurança e equilíbrio; - que pense antes de falar e não tenha vergonha de dizer: "Não sei, preciso estudar o assunto".




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