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A cultura ocidental nos tempos modernos impõe um ideal de beleza que se traduz especialmente pelo corpo esbelto. Beleza é um fenômeno social da maior importância, ser magro em nossa sociedade pode ser considerado um passaporte para o status social, profissional e até mesmo para encontrar o par amoroso.
Desvios do padrão estético proposto levam a uma insatisfação com a imagem corporal, sendo a pessoa obesa, peso normal ou magra. Esta insatisfação é fonte de um rebaixamento na auto-estima que mina o bem-estar geral e se expande para suas atividades profissionais.
Mas há uma incoerência em nossos tempos: na contramão da busca do corpo ideal há uma grande oferta alimentar e um forte incentivo gastronômico que tornam difícil manter um equilíbrio alimentar. A mídia veicula as inúmeras propostas de dietas restritivas e ao mesmo tempo oferece uma nova receita “cremosa” para ser feita no próximo evento social.
Reunir as pessoas quase sempre implica em conversa e comida. Os amigos procuram se reunir no final de semana para o farto churrasquinho, e também muitas de nossas reuniões acaba em pizza. Nestas circunstâncias nem sempre há fome, mas sim vontade de comer, que persiste em atendimento a várias demandas que trafegam pelo campo social e emocional.
Enfim, comer demais e/ou comer de menos se transformou em comportamentos constantes e resultam com alguma freqüência em um transtorno alimentar: anorexia, bulimia, compulsão alimentar e obesidade.
Para as corporações que estão preocupadas com a qualidade de vida de seus colaboradores é fundamental lançar um olhar de empatia ao sofrimento; derivado da insatisfação com o peso e forma corporal, enreda principalmente as mulheres no universo complexo e enganoso das dietas.
Faz-se importante dar assistência a um número cada vez maior de pessoas que acabam apresentando problemas alimentares; sobretudo para as pessoas com compulsão alimentar, obesidade ou sobrepeso, que formam um grupo que necessita de tratamento para as diversas dimensões destes quadros.
As pesquisas têm mostrado que o estímulo para a vida saudável pode reduzir em 25% os custos com assistência médica. Ao focalizarmos nossos cuidados na diminuição do grupo de risco para obesidade estaremos também minimizando a freqüência das doenças a ela associada: diabetes, hipertensão, cardiopatia, colesterol alto, entre outras; além de aumentar o bem-estar geral, o que repercute no ambiente de trabalho.
Abordar a dimensão psicológica que está associada ao eixo corpo-alimento é relevante para o sucesso no tratamento. Reconhecer a ansiedade e as emoções atreladas ao comer é um foco essencial para uma trajetória saudável.
Numa perspectiva que visa repensar a relação com a comida e com o corpo, este é um recurso fundamental para ajudar a regular o que se come, o quanto se come e como se come, aumentando a probabilidade de emagrecimento.
Também rever a autoimagem e aceitá-la pode promover uma elevação da autoestima. A ajuda que se propõe destina-se a melhorar o relacionamento consigo mesmo e com o outro, numa trajetória que implique em “ficar de bem com o corpo, de bem com o alimento e de bem com a vida”.