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Percepção e criatividade como ferramentas para o sucesso Dr. Nelson Spritzer
Percepção
O modo como percebemos a realidade a nossa volta determina o modo como interpretamos o mundo em que vivemos e também o modo com o formamos nosso pensamento, matéria prima para nossa mente gerar idéias que se tornarão realidade, coisa que muitos chamam de criatividade.
Na história da humanidade, a fonte do poder tem-se modificado conforme a época que considerarmos.
Na Primeira Onda civilizatória, a Onda Agro Mercantil, o poder advinha da posse de terras e da sua exploração.
Na Segunda Onda, a Onda Industrial, o poder era dos que detinham os meios de produção, notadamente, as fábricas, as máquinas, as linhas de montagem.
Na Terceira Onda, a Onda da Informação, a qual a maioria de nós foi criada, o poder era e é de quem sabe mais, quem tiver maior e melhor acesso às informações.
A Quarta Onda, a Onda da Criatividade e da Produtividade, uma onda que se instala velozmente em nossa civilização, o poder vem de quem tiver as melhores idéias. Não importa mais o quanto você acumula de informações e sim o que você é capaz de fazer com estas informações.
Nós, filhos da Terceira Onda temos que competir e ter sucesso num mundo e num mercado que exige respostas de Quarta Onda. Nestas condições não é de se surpreender que tanta gente esteja passando por enormes dificuldades e tão poucos tem sucesso. A chave está na capacidade de percebermos os novos tempos, as novas oportunidades e os novos desafios. Porém, somente a percepção não resolve.
É preciso perceber e agir com competência e com flexibilidade, conservando a capacidade de aprender continuadamente pois, como já sabemos, as ondas mudam. A percepção é um fenômeno afetado por algumas restrições que comprometem a qualidade e a quantidade de informações obtidas a partir da realidade. A primeira restrição é neurosensorial.
Nós não percebemos tudo o que existe para ser percebido por uma simples razão: entre nós e a realidade exsite a barreira dos nossos canais sensoriais. São nossos órgãos sensoriais que permitem que fragmentos de informação da realidade entrem no nosso excelente processador de informações: o cérebro.
Como bem sabemos, não somos os animais mais bem dotados visualmente neste planeta. Existem muitos animais que vêem mais e melhor do que nós. Igualmente não somos os mais bem dotados animais no que se refere aos nossos dons auditivos, nem mesmo os cinestésicos, que se referem à capacidade de sentir com o corpo e que inclui nosso gosto e olfato. Em suma, somos animais toscos quanto à nossa capacidade de ver, ouvir e sentir e, de qualquer forma, é assim que formamos idéias sobre a realidade.
Temos ainda uma segunda barreira de percepção que é a barreira lingüística, cultura e social. Ao rotularmos experiências e, sempre o fazemos, estamos dando significados às coisas que nos acontecem. Tais significados podem mudar a própria experiência. Os significados são originados da nossa cultura, da nossa capacidade lingüística e da sociedade na qual vivemos.
Um terceiro obstáculo que afeta o modo como percebemos a realidade é o das nossas referências internas, também conhecidas como memórias de referência. São nossas primeiras experiências que moldam as experiências similares sucessivas.
Filtros
Como se não bastasse, além das barreiras neurosensoriais, culturais e de referências primárias, existem sistemas de processamento das informações obtidas por nossos canais sensoriais. Tais sistemas de processamento, chamados de filtros, são obrigatórios e universais. Existem como mecanismo de ajuda para nosso cérebro funcionar melhor. Podem nos trazer problemas.
O primeiro deles é o filtro da Generalização. Através deste filtro nós somos capazes de aprender mais rápido. Generalizando, aprendemos a andar em qualquer bicicleta, dirigir automóveis, andar, correr etc. Generalizando nós não percebemos detalhes, distinções sutis que, em ambiente competitivo, podem fazer diferença.
O segundo é o filtro da Deleção. Através deste filtro podemos nos concentrar naquilo que julgamos ser o mais importante no momento. Por causa dele podemos “retirar” partes da informação existente e que pode fazer falta num processo decisório. O último filtro universal é o da Distorção.
Através deste filtro podemos admirar o belo, planejar, criar, sonhar. Por causa dele acrescentamos informações que não existem, colocamos pedaços de experiência irreais, transformando a realidade percebida.
Crenças e comunicação
A nossa comunicação é basicamente afetada pela nossa capacoidade em perceber e filtrar o percebido. Assim, seremos melhores comunicadores se formos capazes de filtrar a realidade da forma mais isenta e mais pura possível. Isso é possível através do dar-se conta de qual nosso estado atual e das crenças que temos.
São sistemas de crenças os responsáveis pela forma como usaremos nossos canais sensoriais, a tividade dos filtros universais e o modo como vamos comunicar o resultado da relação entre o percebido e o ambiente externo, para outros seres humanos.
As crenças podem ser diferenciadas entre racionais, que fazem sentido com a realidade observada e as irracionais, que não fazem qualquer sentido. Quanto mais parecidas com fatos, mais facilmente as crenças passam para dentro do nosso cérebro sem questionamentos e exercitam sua influência (positiva ou negativa).
Sabe-se que as crenças irracionais são as que mais controlam nossos comportamentos. Quando uma destas passa pelo crivo da nossa crítica e se instala em nossa mente, seus efeitos podem ser devastadores. Atletas se superam por causa destas crenças irracionais, doentes se curam, pessoas criam milagres e, por outro lado, ditadores dominam nações, líderes de pseudo religiões manipulam massas e a mídia publicitária tira proveito destas mesmas crenças para seus intentos.
Mudança
Mudar é o maior desafio humano. Nada é mais atemorizante do que mudar. Sair do conhecido, da zona de conforto e ir rumo ao desconhecido o qual invariavelmente exigirá adaptação e, portanto, desconforto.
Como, ao nos darmos conta de alguma necessidade, imperfeição, dificuldade ou defeito, e definindo adequadamente um objetivo, como fazer a transição ? Para uma mudança acontecer é necessário que se defina com muita clareza o estado presente e o estado desejado. A mudança é apenas o processo de passagem entre os dois estados.
Para que obtenhamos estas definições é preciso, novamente, uma apurada percepção e uma comunicação (interna e externa) precisa.Além disso é preciso coragem. A coragem só pode surgir se entendermos a razão para fazermos tal mudança. A razão deve ser de tal intensidade e abrangência que faremos concessões para alcançar o desejado, porque vale a pena.
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